sábado, 26 de setembro de 2009

NELSON GONÇALVES

Em primeiro lugar, viva a TV Brasil, que está se afirmando como alternativa ao cenário terrível das TVs abertas de mercado, verdadeiramente privadas ! O filme de 2001, do diretor Elizeu Ewald, é um misto de documentário e versão romanceada em que o casal Alexandre Borges e Julia Lemmertz faz o duo principal. Este formato de dcumentário romanceado não é o do meu agrado, mas o filme cumpre muito bem a missão de contar a estória do grande cantor, contextualizando-o no cenário em que o rádio (grande homenageado da semana) tinha um papel fundamental e dando conta muito bem de mostrar a dimensão do sucesso e da tragédia do artista, que também sofreu com o vício da cocaína. Acho que o Alexandre Borges não ajuda por incompatibilidade física e psíquica com o personagem, mas isto pouco importa, se você quer conhecer um pouco da estória de nossa cultura, vale a pena ver o filme e passar por cima das encenações.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

BUDAPESTE


BUDAPESTE é um filme de Walter Carvalho (não é a toa que a fotografia é uma das fortes qualidades do filme) baseado no romance de mesmo nome de Chico Buarque. Chico é um verdadeiro símbolo, como criatura e como criador, um grande expressor de nossa gente, nossos sentimentos e nossa luta. Pessoalmente acho este livro muito criativo, muito rico do ponto de vista da expressão formal, mas não tão "histórico" quanto o último " Leite Derramado" que para mim é o melhor deles. O filme acompanha o livro, é denso, mas um pouco hermético demais. Leonardo Medeiros está bem, mas corre o risco de ficar padronizado com atuações sempre melancólicas e a Giovanna Antonelli está muito bem em um papel com expressão menor. Vale a pena ver, porém sem a pretensão de querer entender tudo...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um Romance de Geração


Carlos Santeiro é um escritor. Ele veio de Minas Gerais para o Rio, morar num conjugado em copacabana, com o objetivo de escrever o "romance de sua geração". Santeiro conquistou alguma notoriedade por ter escrito um livro que agradou a crítica, mas não tem escrito nada ultimamente.
Por causa dessa ausência do escritor, uma jornalista pede para entrevista-lo, Santeiro exige que seja à noite, na casa dele, ao que a jornalista concorda. A partir daí, há o embate de interesses, Santeiro querendo levar a jornalista para a cama, a jornalista querendo algumas frases de Santeiro sobre seu suposto novo livro. Santeiro começa a inventar o que seria o seu romance de geração. Regados a muita bebida, os dois vão se envolvendo, enquanto nos perdemos entre a realidade, a história que Santeiro inventa, a história contada pelos personagens dentro do "Romance de Geração" e a própria trama do filme.
O Filme fala sobre arte conceitual e sobre a meta-linguagem, criando um universo preso no espaço claustrofóbico de um conjugado, usando de vários recursos interesantes:
o uso de 3 atrizes para interpretar o papel da jornalista;
Em alguns momentos aparecem palavras e frases que dão indicações sobre a trama, meio como se o filme fosse um roteiro, como em uns momentos que aparece escrito na tela "Sons de Copacabana" ao invés dos próprios sons serem ouvidos;
Em alguns momentos aparecem cenas do ensaio do filme, onde os atores interpetam a si mesmos, com a participação do diretor e do próprio autor do livro;
Temos também entrevistas com os atores, comentando a história;
Podemos notar durante o filme, o set de filmagens, toda a estrutura por trás da obra.

O filme é uma aula sobre cinema e sobre literatura, além de ter um humor leve e carregar discussões interessantes sobre a arte, a impotência humana, a geração de 70 e de 64, a vida de fingidor do autor, etc. Recomendo muito.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ROTA COMANDO

O filme "Rota Comando" (2009) dirigido por Elias Junior, é um subproduto da trilha fascista gerada por " Tropa de Elite" em que a violência pode estar associada ao lado do Bem e ser justificada. É um filme baseado no livro"matar ou morrer" de Conte Lopes, que já foi suboficial da tropa ( Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) e se elegeu deputado estadual em SP. O filme segue ainda em outros pontos a caminhada do Tropa de Elite e é hoje o mais vendido na camelotagem em São Paulo. Ao contrário de " Tropa de Elite" o filme não apresenta a ROTA como polícia honesta em contraposição a uma polícia corrupta , a não ser em um pequeno diálogo. É simplesmente " Polícia x Bandido ", o " Bem contra o Mal" em muitas cenas de ação ( que neste filme sempre começa com uma " caçada" envolvendo as viaturas e quase sempre termina com alguém morrendo ou sendo ferido, mas sempre socorrido) e com vários elementos também presentes em "tropa" como conflitos subjetivos de consciência e o dia-a dia de rituais e treinamentos fascistas que moldam a personalidade e o agir. O que salta aos olhos, muitos cadáveres e feridos depois é que a sensação de insegurança jamais termina, pois é ela que justifica o fascismo. Vender a idéia do "mundo-cão" serve ao propósito dos que vivem para nos defender. Para finalizar, a trilha sonora e música tema é de Paulo Ricardo (RPM) e Andreas Kiesser e compõe bem este quadro lamentável. É como diz um daqueles programas de TV que vende este " mundo-cão", capitaneado pelo Pedetista Wagner Montes: ESCRACHA!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

SALVADOR

"Salvador" é um filme espanhol de 2006, do diretor Manuel Huega, que narra a estória do militante Salvador Puig Antich, que integra um grupo de guerrilha urbana na Espanha na década de 70, tendo sido preso e condenado à morte em 1974. O filme traz dois atores inspirados, Daniel Bruhl (de "Adeus Lenin" e "Edukators", que pasmem é Catalão de nascimento, vivendo o militante e Tristan Ulloa como seu advogado. O filme tem algo de " Em nome do Pai" (sobre o IRA com o Daniel Day Lewis) e certamente deve ser visto por quem gosta de política, pois ajuda a refletir um pouco sobre as ações destes grupos armados na europa, na década de 70, nestes tempos de " Bader Meinhoff" que ainda não assisti e do pedido de extradição de Cesare Battistini. O filme é muito bom até a metade e depois se arrasta um pouco, sem chegar a ser chato, como se stivesse narrando a lenta agonia do cara até morte. É impressionante o meio pelo qual a ditadura franquista executava a pena de morte em 1974 ! Mas aí a gente lembra da inquisição logo alí atrás....

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

SWIMMING POOL- À BEIRA DA PISCINA

Na agradável companhia da Mariana, na sala de cinema do "Espaço Cinema Nosso" na lapa, sessão do "Compulcine" (www.compulcine.blogspot.com) de um ciclo dedicado ao cinema e a literatura. O filme é de 2003, do diretor francês François Ozon, e traz a fabulosa Charlote Rampling na madureza dos cinquenta e muitos anos, fazendo o papel de uma escritora inglesa de romances policiais que é obrigada a se confrontar com a companhia da filha do seu editor em uma casa com a tal piscina na França. O filme coloca a já tradicional oposição entre a ficção e a realidade de uma forma criativa, em que o "mundanismo" da personagem da atriz Ludivine Signer ( também muito bem) impulsiona a ficção da escritora em um jogo de envolvimento. Em poucos momentos, o filme (quee tem poucas palavras e muitas imagens interessantes, principalmente as envolvendo o corpo físico das duas atrizes) fica um pouco lento, e para não falar mal de alguma coisa, o final é previsível e lugar-comum, mas o filme é bom e foi legal conhecer duas iniciativas que impulsionam a atividade cinema fora do mercadão. Tamos Juntos!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O EFEITO DA FÚRIA

"O efeito da fúria" é a tradução ruim de "Winged Cratures" ou " Fragments" um filme de 2008, do diretor Rowan Woods. A idéia é bastante interessante, ou seja, analisar o comportamento de quatro vítimas de um destes assasssinos malucos que invadem um restaurante e saem matando, destas coisas que caracterizam também a sociedade norte-americana. O problema é que entre a idéia e a execução da idéia alguma coisa se perde. O roteiro é confuso, e como todo filme psicológico, por vezes é bastante chato e sem muito sentido. Tem todos os ingredientes modernos como Flash Backs, vidas entrelaçadas e atuações boas dos atores adolescentes, Dakota Fanning (muito boa) e Josh Hutcherson (bem) além do já manjado Forrest Whitaker também em um bom papel. Mas o resultado fica devendo, muitas coisas soam sem sentido e sobra aquela sensação de que faltou alguma coisa no filme e o meu palpite é um roteiro melhor.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O ILUSIONISTA

(The Ilusionist-2006) é um bom filme do diretor e co-roteirista Neil Burger, que explora muito bem uma estória que mistura romance e mistério, com um roteiro bem feito e o excelente desempenho do Edward Norton e do Paul Giamatti. Quanto ao primeiro (o ilusionista Eisenheim) novidade alguma, o cara é bom demais com um trabalho que explora muito bem sua expressão facial. Quanto ao segundo, é figurinha meio batida em papéis secundários na Tv e no cinema de entretenimento, e trabalha muito bem, normalmente faz papéis mais para o cômico, mas desta vez acerta a veia também com boas expressões faciais. Despido de qualquer pretensão a não ser contar de forma honesta e bem realizada uma boa estória e com bons atores, o filme é um bom entretenimento. Se quiser ver o Paul Giamatti em um filme meio sessão da tarde, mas divertido, pegue "Sideways" de 2004.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DIVÃ


Divã (2009) é um filme de José Alvarenga Jr. É um filme que distraí,bem ao estilo cinema brasileiro de hoje em dia com algumas pitadas de humor, embora bastante previsível. Os atores masculinosa fazem papéis com as suas caras, o que torna qualquer tentativa de qualifica-los inútil. José Mayer como José Mayer, Reinaldo Gianechini como o próprio e Cauã Raymond idem, todos personagens de si mesmos. A Lília Cabral de quem não gosto muito, compõe bem o papel de mulher acima dos 40 em crise e Alexandra Richter tambem faz bem o papel de amiga. É um filme que você pode ver quando não tiver mais nada prá fazer, que mal não vai te fazer, embora seja de uma previsibilidade cotidiana acachapante.